Setenta Vezes Sete

Estou com trinta. Hoje é domingo e apeteceu-me falar sobre realidades. Estava sentada, quando uma coisa me saltou à vista. Imediatamente, proferi silenciosamente, teorias acerca, teorias essas, que de repente me levaram a um excesso de realidade – sofro muitas vezes deste síndrome – excesso de realidade – já escrevi sobre ele. E entretanto lembrei-me que tenho trinta anos, que no meu rosto já se começa a notar com alguma definição as marcas de expressão. Que é domingo, e eu estou em casa, não ando por ai a gastar dinheiro, nem a desgastar a minha energia, porque tive a tratar das minhas coisas. Lembrei-me que dias de liberdade excêntrica já passaram, e que nesta fase, pauta o equilíbrio, e a responsabilidade sobre a minha vida e sobre mim mesma, ganhou muito mais terreno. Mas lembrei-me que tenho trinta. E que o meu rosto já não é um rosto de menina bonita, mas também me lembrei, que junto com o amadurecimento do meu rosto, minha personalidade também amadureceu. Lembrei-me que já não tenho espaço para competir com nada, nem ninguém, que a aceitação da maturidade, é a paz com que devo viver meus dias. Lembrei-me que, nesta idade, algumas coisas já não são o que eram antes… O que queremos, como vemos as coisas, até mesmo a nossa posição perante os desafios. Lembrei-me que a minha paz, é vida !

Também me lembrei, que já não quero as mesmas coisas que há uns anos atrás. Meus ideias sempre foram os mesmos, mas a forma como eu vivo, mudou. Os traços que hoje definem meu rosto, foi o caminho que fiz até aqui. Existe neles vivência, superação, riso e choro, e tudo mais. Meu rosto não deixou de ser belo, apenas é mais maduro.

Também me lembrei que, hoje, sou uma versão de mim mesma, melhor que ontem. E que o que eu tinha para dar antes, é diferente do que eu tenho para dar agora. Talvez, o que eu tenho para encontrar agora, também seja diferente, porque as minhas necessidades mudaram, e eu não quero nada que não seja compatível com elas – descobri nos entretantos da caminhada que minha paz e meu equilíbrio são demasiado caros para serem desperdiçados.

Hoje também me lembrei que sou mais calma. Que sou mais sábia. Que tenho mais paciência. Que sei o que recusar. Sei discernir o que (me) vale a pena ou não. Sei ver onde existem armadilhas. Sei onde elas estão. Penso de outra forma. Penso antes de actuar. Ás vezes ainda julgo. Honesta sempre fui. Equilibrada, estou mais. Sei o que quero, mas acima de tudo o que não quero, o que me faz mal. Conheço os meus defeitos, e RE-conheco as minhas melhores qualidades. Sei onde pouso neste momento, e sei para onde quero ir. E hoje lembrei-me… sei tanto !!!

Será que o meu rosto “fala” que sei tudo isto ? Será que a minha energia diz ?

Quando eu tinha vinte anos, o que eu sabia ? Meu rosto dizia que eu não sabia nada. Todos dizem.

Crescer, ou ter, como eu lhe chamo – síndrome do excesso de realidade – ás vezes pesa, a gente sabe. Nota-se no nosso rosto. Mas não trocaria a lucidez de quem eu sou, nem a lucidez sobre a vida, por nenhuma poção da juventude. Ter sabedoria, é setenta vezes sete vezes melhor !

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