As vezes que discuti com Deus

Muitas foram as vezes que discuti com Deus. Muitas foram as vezes que questionei, que revoltada virei minha incredulidade contra a sua verdade, que desacreditei. Muitas foram as vezes.

Deus, ou essa Inteligência Divina, esse Todo, essa Expansão, essa Força, como lhe queiram chamar, – para mim é tudo isso – conhece mais que ninguém as minhas frustrações, conhece mais que ninguém as minhas fragilidades, conhece mais que ninguém o meu sentimento de inadaptação e de solidão neste mundo, que vivo, aqui e agora. Deus mais que ninguém, conhece tudo aquilo que existe de bom em mim, conhece verdadeiramente quem eu sou, quando ninguém está a ver. Deus conhece todos os meus passos, e todo o rumo que eu já tomei e fiz. Deus conhece todas as estradas que eu percorri, todas as dores que me assolaparam, todas as angustias, todas as questões, todas as alegrias, todas as lutas, todas as glorias. Deus sabe, o quanto eu já acreditei nele, e o quanto eu já duvidei também. Não lhe escondo. Quando me revolto, revolto-me com toda a falta de fé que tenho no momento, e sabem ?! É verdadeiro. Porque vem da frustração, porque vem da angustia, da tristeza, da incapacidade, da incerteza, de já não compreender as minhas circunstâncias, apesar de tentar.

Deus sabe, todas as coisas que se passam cá dentro, mesmo quando eu não falo, quando não expresso a ninguém, e estou no silêncio dos meus sentimentos. Deus sabe, todas as vezes que falhei com Ele. Mas não se importa, eu sei que não se importa. Ele também sabe que me deu alguma coisa que não é assim tão fácil carregar. Ele também sabe, e muito mais que eu, o quanto eu tenho de me aperfeiçoar. E ele também sabe o quanto isso iria doer, e provavelmente também, qual seria a minha reacção perante a vida. Mas Ele não se importa.

Dizem, que quando Deus criou o Universo, e dividiu cada macaco no seu galho, que a cada energia zodiacal, Ele definiu características, ou forças especificas. A meu ver, de uma forma particular, as pessoas nascem sobre influência de determinadas constelações, porque, para a sua missão pessoal, vão precisar de ter determinadas características como forças, ou fraquezas, que vão exactamente ao encontro da sua auto evolução. Eu nasci sob a influencia das forças escorpianas, com ascendência em forças de caranguejo, portanto, nasci sob influência do elemento água, na sua total forma. Na criação do Universo, dizem que Deus atribuiu a cada signo uma missão colectiva/individual. Ao escorpião ele disse: “A ti Escorpião, darei uma tarefa muito difícil. Terás a habilidade de conhecer a mente dos homens, mas não te darei a permissão de falar sobre o que aprenderes. Muitas vezes te sentirás ferido por aquilo que vês, e em tua dor te voltarás contra Mim, esquecendo que não sou Eu, mas a perversão de Minha ideia, o que te faz sofrer. Verás tanto e tanto do homem enquanto animal, e lutarás tanto com os instintos em ti mesmo, que perderás o teu caminho; mas quando finalmente voltares, terei para ti o Dom supremo da Finalidade.”

Eu não sei se isto é verdade ou mito. Eu escrevo isto, porque nasci sob esta regência, e efectivamente, eu sinto tudo na vida com uma intensidade capaz de me quebrar o peito constantemente. E isto não é mito. E eu não consigo mudar isso, porque é a minha natureza, é a minha verdade, a minha essência. Para além disto, há coisas que eu consigo chegar, eu vejo para lá dos olhos das pessoas, eu vejo para lá das intenções das pessoas, e isso, a maioria das vezes é doloroso, a maioria das vezes gere uma guerra aberta comigo mesma, e não com o outro. Eu sinto muita coisa, e percebo muita coisa que calo, dentro do meu peito, porque não posso expressar, porque ninguém pode compreender.

Nestas trocas involuntárias de sinergias entre mim, a vida, e as pessoas, é aqui que muitas vezes me revolto contra Ele, que muitas vezes no limiar da minha compreensão não conseguir atingir as incoerências da vida que minha alma se pergunta: “Porquê?”, “Onde estás tu?”, “Porquê deixas?”, e uma sequência de perguntas que Ele sabe, que eu sei as respostas, mas que talvez eu precise da revolta, para a transformação.

Eu nunca fui uma pessoa de falar todos os dias com o Universo quando me deito, nunca fui uma pessoa de falar todos os dias com Deus, em oração. Eu acho que mantenho um relacionamento com a Unidade pela minha crença na vida, no Universo, nas forças Cósmicas, nos Planetas, nas estrelas, em tudo. (Eu sou daquelas pessoas que acredita em tudo, não sei, apenas sei que existe.) Eu mantenho uma conversa constante com alguma consciência que está dentro da minha cabeça, que sempre está a falar dia e noite comigo. Eu acho que essa consciência, é Deus, através do nosso Eu maior.

No entanto, e apesar de tudo, esta semana senti necessidade de falar com Deus, de uma forma diferente. Senti no meu coração que devia chamar por Ele, e quis muito lhe pedir perdão por todas as coisas estúpidas, e ignorantes que já pensei e disse, por todas as fraquezas que já tive, durante o meu percurso. Então eu deitei-me, e com as mãos no meu peito disse “Pai, Criador Divino, ouve-me, vamos conversar um bocadinho. Perdoa-me todas as vezes que falhei como ser humano, todas as vezes que falhei contigo. Eu te peço perdão do fundo do meu coração. E perdoa-me por duvidar de Ti. Sabes que, em quase todo o meu caminho, seu sempre me senti sozinha, mas agora, mais que nunca eu sei que não estou só. Que minha tribo está a chegar, que eu não sei exactamente para onde vou, mas eu vou confiar. Obrigado, sei que vai correr tudo bem. Da-me forças para ultrapassar as minhas fragilidades. Ajuda-me, e obrigado.” Lembro-me que adormeci prontamente, e acordei no dia a seguir, lembrando que sonhei com a sequência numérica 333.

Hoje, na minha formação de yoga, o módulo que abordamos foi “meditação”. Eu não sei se veio na sequência, mas, como eu sei que nada acontece por acaso, e todas as peças se unem, e cada momento se encaixa onde tem de encaixar, e nem por acaso, abordamos vários temas, numa conversa quase guiada por uma consciência elevada, num diálogo de luz e amor, onde cada palavra tocou no coração de cada um de maneira única e diferente, fomos guiados a experimentar duas meditações, sendo uma delas a meditação do perdão, e eu pensei: “Aqui está Deus, a falar comigo, em seguimento da nossa conversa.”, porque foi Deus que me deu a oportunidade de perdoar, a mim mesma, a todos os outros que já me feriram, e através desta circunstância gerada por este módulo ele me disse: “Eu ouvi-te, e te perdoei.” E esta meditação foi a minha resposta.

Eu não tive oportunidade de dizer, porque a minha vergonha sempre me trava a expressão. Mas queria ter intervido, na sequência da conversa com a Isabel dizendo que, Deus, a Inteligência Divina, fala connosco através das circunstâncias da nossa vida, do nosso dia a dia. Ás vezes estamos demasiado distraídos, ás vezes não temos a compreensão necessária, ás vezes nem queremos compreender. Está tudo certo. Quando a inteligência maior tiver que impor uma mudança, porque nós precisamos avançar, essa mudança vai acontecer, e se nós não percebemos antes, naquele momento iremos entender.

Hoje eu entendi, o porque de eu vir a sentir a necessidade de conexão com o Universo, e com o Todo, especificamente em oração. É a transição. Por mim, por nós e por todos. Precisamos nos conectar ao Divino, para começarmos a fazer o resgate da nossa essência divina, em definitivo. E cada vez faz mais sentido a conexão directa, em oração.

Talvez, tudo isto surgiu, porque eu tinha de “fazer as pazes” com Deus. Precisava limpar minha fé. Precisava libertar o peso da incerteza. Precisava anunciar ao meu ser mais profundo e divino, que estou pronta para recomeçar, a partir daqui.

E como nos disse, hoje, a Isabel: Repitam para vocês mesmos – “Qualquer altura é boa para recomeçar.”

E o planeta está a recomeçar. Nós estamos a recomeçar, e connosco, Deus também.

“Para entender o amor, faça um trato com a fé.” – Castello Branco

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